domingo, 12 de julho de 2015

Mais um pouco sobre isso, mas deixe que apago a luz.

Sinto dizer-lhe que a decepção é mútua, grande mulher (ou só uma garota). Devo dizer-lhe, também e por começo, que sim - vivo de um lugar ainda raso, e só nisso você acertou.
  Fiz e refiz, vi você e revi, pensei (sim, eu penso) e repensei, e nas nada a ti interessantes voltas da minha cabeça, externei-me em ações enganadas, magoei-lhe, fiquei sabendo, e as desculpas já foram pedidas, e a pena ainda é cumprida.
  Você sabe o quanto não sabe o que senti. Convenceu-me, então, de que nada. Conclusão forte, cruel, digna de grande mulher. Uns cinco encontros e, com a força real do limbo escuro e divertido onde reinas, esculpistes minha caricatura magra, franzina, leve, oca. Escrevestes meu manual falho, pífio auto-depreciativo por merecimento. Fez-me de mera visão bonita, longínqua, vista de seu digno e verdadeiro lugar escuro, úmido do que é bom e divinamente bizarro, com a benção da juventude, onde todos os dias tento chegar (nisso você não acredita, sei), mas uma porta me foi fechada, a porta onde talhei seu nome, a porta por onde ressonam as teclas de um piano bêbado, a porta maior em que consegui chegar. Amarga ilusão, de ambos os lados..
  Sua voz nunca falhou. Lenta e baixa, mas nunca falha, como compreendem-se as vontades e os desejos nesse mundo real teu (onde tento entrar).  Seu agir é a melodia que rege o desejo, logo, o meu é o cúmulo do enganado. Convenceu-me mais do que esperava, talvez, hein? rsrs...
  Convenceu-me mais do que pensava. Mais o meu quarto ainda é o mesmo, paredes verdes e amarelas, e os seus textos estão para além do meu mero campo de visão. Eu não sou sua desgraça. Preciso continuar vivo com ou sem o seu caminho à floresta encantada. Eu preciso encontrar o beijo que não te dei, a voz que não fiz-te ouvir, os anos que estás à frente, o pensamento que me falta, preciso encontrar sem você. Vou-me embora não mais pro conforto do qual me acusa, vou embora atrás de um abismo mais fundo, de algo que me faça sentido. Vou, pois - como eu já disse, numa coisa você acertou: encontro-me num lugar ainda raso. Mas seu peso já não me ajuda a aprofundar.
  Se ainda vou olhar-te de longe, como o moleque atrás de uma grande mulher, não sei, mas não quero que olhes de volta para trás, para mim. Você já disse o suficiente, agradeço pelas críticas, os insultos guardo também. Agora, cada um com suas bizarrices, embora em países diferentes, quem sabe a gente não se encontra em um lugar mais escuro? Mas eu de cá, dessa tolice que não te interessa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário