segunda-feira, 27 de julho de 2015

Busca Implacável

O lençol, envolvendo todo o corpo antes de dormir, é o abraço do não. A negação, o cheiro de resistência conservadora impregna todos os cômodos em que se encontra solidão. Um verdadeiro adolescente, tentando dormir enquanto perde sua primeira festa numa casa sem pais, onde sabe-se que a verdadeira nuvem habita, onde sabe-se que o movimento se apaixonará pelo tempo, onde algum dia deixei aquele sonho imprescindível. Se deus exite, tem a impecável habilidade de esconder os motivos dos braços das palavras.


segunda-feira, 20 de julho de 2015

Curumim de Pedra (poema)

Pele não de couro.
Orgulho: um arranhão.
Voa no jardim,
De pé descalço, alisa o chão.

Fome do que havia ali,
Porque nasceu curumim.
Pele macia, sem atrito,
Marrom de leve, todo leve
Aonde leva o infinito?

Aprendeu, com a pedra,
Em meio ao Pedro, parado ser.
Pequeno estagnado,
Andando raso
Ama te ver.

Mas morrerá curumim?
Na poesia que escuta quieto
Na inocência de não ter fim?

Ou morrerá pedra sua?
Na metade do caminho não feito
Nem na rua ou na lua.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Curumim de pedra.

Sua pele, ainda não de couro.
Sua ferida leve, um arranhão - orgulho.
Vontade do jardim, voar, da fazenda, cavalos.
Fome do que havia ali, pequeno estagnado enganado, romântico.

Porque ele já nasceu curumim. Pele macia, marrom de leve, de todo leve, de todo planta, de todo pedra, parado. Pedro.
Morrerá curumim? Na poesia que escuta quieto, na metade do caminho, entre a rua e a lua.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Ao ouvir ''Veja'', desconfie. Em todos os sentidos.

Costumo andar com uma janela pendurada no pescoço, não me lembro quando aconteceu. O triste pecado é que ando pelas ruas mais bonitas da cidade, os lugares mais prazerosos. Umidade, paralelepípedos, cerveja, fumacinhas.. Isso à noite, pelo dia, páginas, praias, quartos sombreados, cafés muitas vezes ruins, cansaços, trabalho. Acho que é genial, lindo. Pergunta-me sobre e sei descrever visualmente em claro e bom tom, só.
Sentado numa mesa amarela da skol, participo como posso de uma reunião de construção cenográfica, acontece no mínimo uma vez por semana, ela mantém o paraíso fora do lugar, injeta heroicamente a insanidade e a transcendência, do fim do velho sonho ao começo de um novo, de segunda a segunda. 
Só vejo. Vejo a construção, vejo os autores e autoras, atores e atrizes que tanto admiro, amo-os, idolatro-os, é o papel ridículo da janela, um dia eles ainda me matam. A construção cenográfica é assim, eles gastam o sangue, a cara, os dedos e os braços, eles dizem que dói muito. Aparece-lhes no rosto, de três em três minutos, um sorriso curto, um sorriso curto metatemporal, atemporal, ser mitológico, divino, o x da questão, da sobrevivência, sinal de nascença do ser sem gênero. E a construção continua, eles são envolvidos pela obra cada vez mais. Uma cena é obra que mais conhece a arte, que mais se aproxima dela, que mais tem a nos trazer do mundo poético, afora a poesia. Umas vez, um desses amigos heroicos me disse ''o teatro depois da poesia e a arte mais política. Olha a vida ali!''. Assisto pela minha janela.
Meus amigos atores a autores, autoras a atrizes constroem a cena, gastam sangue e mãos, mas de três em três minutos, o curto sorriso. 
Eu não sorrio como eles, costumo gargalhar de vez em quando de coisas que nem sei. Mas aquele sorriso, ah, aquele sorriso, vejo-o desde que me lembro andante dessas gostosíssimas ruas, aparecem de três em três minutos no rosto de cada um deles - dinâmica do desejo a acontecer,
Meu deus, o cenário estava lindo, parabéns aos envolvidos, do fundo de minha alma. A luz é fraca, amarelada, é possível olhar-se nos olhos sem dificuldades externas. O clima é o mesmo, mas é possível vestir-se como quiser, e todos estão belíssimos, por sinal. O som é meio ruidento, como um cobertor fino pra alma, mas num bom volume, é possível conversar sobre tudo. 
O cenário ficou maravilhoso. Eles se orgulham, são o que querem. Três minutos, um sorriso, abraçam-se e beijam-se. Uma lágrima escorre-me o rosto, Detesto essa janela.

domingo, 12 de julho de 2015

Mais um pouco sobre isso, mas deixe que apago a luz.

Sinto dizer-lhe que a decepção é mútua, grande mulher (ou só uma garota). Devo dizer-lhe, também e por começo, que sim - vivo de um lugar ainda raso, e só nisso você acertou.
  Fiz e refiz, vi você e revi, pensei (sim, eu penso) e repensei, e nas nada a ti interessantes voltas da minha cabeça, externei-me em ações enganadas, magoei-lhe, fiquei sabendo, e as desculpas já foram pedidas, e a pena ainda é cumprida.
  Você sabe o quanto não sabe o que senti. Convenceu-me, então, de que nada. Conclusão forte, cruel, digna de grande mulher. Uns cinco encontros e, com a força real do limbo escuro e divertido onde reinas, esculpistes minha caricatura magra, franzina, leve, oca. Escrevestes meu manual falho, pífio auto-depreciativo por merecimento. Fez-me de mera visão bonita, longínqua, vista de seu digno e verdadeiro lugar escuro, úmido do que é bom e divinamente bizarro, com a benção da juventude, onde todos os dias tento chegar (nisso você não acredita, sei), mas uma porta me foi fechada, a porta onde talhei seu nome, a porta por onde ressonam as teclas de um piano bêbado, a porta maior em que consegui chegar. Amarga ilusão, de ambos os lados..
  Sua voz nunca falhou. Lenta e baixa, mas nunca falha, como compreendem-se as vontades e os desejos nesse mundo real teu (onde tento entrar).  Seu agir é a melodia que rege o desejo, logo, o meu é o cúmulo do enganado. Convenceu-me mais do que esperava, talvez, hein? rsrs...
  Convenceu-me mais do que pensava. Mais o meu quarto ainda é o mesmo, paredes verdes e amarelas, e os seus textos estão para além do meu mero campo de visão. Eu não sou sua desgraça. Preciso continuar vivo com ou sem o seu caminho à floresta encantada. Eu preciso encontrar o beijo que não te dei, a voz que não fiz-te ouvir, os anos que estás à frente, o pensamento que me falta, preciso encontrar sem você. Vou-me embora não mais pro conforto do qual me acusa, vou embora atrás de um abismo mais fundo, de algo que me faça sentido. Vou, pois - como eu já disse, numa coisa você acertou: encontro-me num lugar ainda raso. Mas seu peso já não me ajuda a aprofundar.
  Se ainda vou olhar-te de longe, como o moleque atrás de uma grande mulher, não sei, mas não quero que olhes de volta para trás, para mim. Você já disse o suficiente, agradeço pelas críticas, os insultos guardo também. Agora, cada um com suas bizarrices, embora em países diferentes, quem sabe a gente não se encontra em um lugar mais escuro? Mas eu de cá, dessa tolice que não te interessa.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Ciúmes do vento.

Desespero-me pela impressão colorida
das fotos já suas de mim.
Tenho por alma o direito infiel
de adentrar pessoalmente seus fins!

Como pena e não como pai.
Como gente e não como homem mais.

Conte o que fiz e você não viu,
conte, sempre sonhou e nunca sentiu.
Conte-me: foi querer por ouvir um não
e então
desespero-me pela emissão
de mim.


sexta-feira, 3 de julho de 2015

contem-me o que há.

Hoje a noite é clara.
Dou a vocês essa lua, amigos.

Aos meninos e meninas que vivem de olhos fechados
e de boca aberta
e falando só o que há.

Sou um rapaz assentado: ouço o que há
e amo.
Tentei, em ontens e amanhãs, acompanha-los na corrida e nos tropeços
e aos hojes
vocês retiram-me o lenço preto dos olhos..surpresa!
é foda, é foda, muito bom!
três de julho, sou menino atrasado mesmo.

Costumo, diariamente, pedi-los emprestadas algumas coisas atrás
atrás dos olhos, dos ouvidos, das mãos, do frio, da alegria, do caminho, da ida, da volta, da cama, do sono, da quietude... e do que há.

Não que eu não saiba de nada, amigos
afinal, vejam bem, olhem para isto!
Mas é que vocês...vocês...
dou a vocês essa lua. amigos!
e amanhã, contem-me o que há!