Quando, na verdade, tudo que tenho pra alimentar o coração é lembrança, teimosa e soberana, proteica e amarga, orgânica, algum impulso escondido por uma máscara de proteção divina - pois às vezes é melhor não saber donde vem os tais impulsos - empurra-me à minima e digna vontade de amanhã acordar pra além da própria memória, pro desejo desapoiado de que um dia, os dias tenham passado, e seu rosto, seu corpo, suas pintas, seu movimento, possam tomar conta de tudo como agora não podem, não devem.
Nunca chegará. Inocências à parte, sabemos que se há um lugar onde os desejos nunca chegam é em sua própria imagem, ninguém volta pro berçário com vontade de morar por lá. Esse desejo desembocará na surpresa aquarelada, esfumaçada, esfacelada, longínqua, subconsciente da qual se nutrirá minha eterna vontade de, sendo eu, ser você.
Nenhum comentário:
Postar um comentário