segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Se dá de gente.

A umidade é de cor misturada
é de corpo na rua, que é mãe
para por descansar na calçada
proseando a história em lágrimas

nestante ainda és boi ou vaca
nestante és caboclo ou mãe preta
nesse instante de ontem escravo
nesse ontem de hoje; amor bravo

nada velará a raiva à miséria mês
nada velará as mãos dadas calejadas

o manifesto, a pau de arara
veio à calçada, prosear,
trazer o coração do mato
pro sangue grande bombear

nada velará a raiva de toda casa grande
nada velará o amor na panela de barro
a umidade da rua é de prosa, poesia
corpos morreram novos, corações nunca escravos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário