terça-feira, 30 de junho de 2015

Sobre aquele convite...

Teus olhos eram de fato lindos
e eles gostavam de mim.
Olhos lindos que gostavam de mim,
eram o convite mais doce à festa inexistente.
Nada era só festa, a vontade era de ver sangue.

A verdade vem com o tempo
e com a voz
pediu-me licença, tomou de volta os olhos
e o real convite fora feito pra fora da festa,
fora de mim, onde todas as noites guardo meus sonhos.
Você podia ter a chave...
Desculpe, mas ainda não tenho luz...
Amo outra pessoa.

Medíocre e desesperado,
apresentei meu convite:
minha cama, uma cadeira a três passos,
uma distância segura, de onde via seus olhos
e o movimento de sua boca.
Mas sua boca também é linda
e a vontade é de ver sangue.

domingo, 28 de junho de 2015

Catú

''Pode deixar aí que eu lavo'', diz-me Catú, anciã do calmo agreste.
De sua casa, longínqua num sonho, real numa estrada de barro e buracos, longínqua, trouxe-me as mãos para lavar
e cozinhar galinha, carneiro e feijão, ouro!
Catú não responde à tua fala rápida, estrangeiro progressista pós moderno às vez artista.
Catú diz sim e não, disse-me ''sim, pode deixar que eu lavo''
Catú diz não
Catú diz não
Catú diz não
ninguém ouviu.

Traz-me a cada fala velha, sotaqueada de e para sempre do mandacaru e da lagoa do boi, uma distância de terra seca e mãe de vida verde.

Deixo Catú amanhã, volto ao mundo outro, aquele.
Me pede um pouco do mundo, Catú, deixo-te e busco até mais..(minto?)
Exerce-me mãe do sertão
deixo-te a alma sedenta!
''pode deixar aí que eu lavo''.

Força

Força de incontestável validade
visto que sim, é amor.
Tesa sempre: constante em cada segundo de tempo sumido, subalterno.
Tesa sempre.
Às vezes, por escolha, justo.
Nunca por vaidade, somente.
Força que embrulha o estômago,
seca os pulmões,
prega os olhos em aberto,
já não mais respeita os limites do corpo,
já não mais ajeita-se ao comando de a gente.
Não conforta-se em sorriso.
Não mais mata a sede em lágrimas.
Aprendeu a ignorar as vaidades do tempo
esteticamente independente,
estupidamente ignorante.
Soberano. Discursos podem segui-lo à vontade.
O sangue quando sai do coração.
Traz-me mais felicidade, se possível,
fluxo constante, alquimia dos sentimentos: amor transcendental.

A lagarta, a flor, o casulo...o tempo.. a borboleta agora voa pra onde quiser.
Amor que já não cabe mais em nada.