Quando eu era mininin
Não tive que aprender a inventar
O peixe assim.
Beijava o mato
E morava o mar,
Arranho traqueia
De descer soluço
De choro cansado
De ignorar
Sorrisos.
Não juntei conchas do mar
Não endureci o amor
Decidiu-me acompanhar
A dor
Não fui à rua pra voltar
Antes de pescar tua voz
Nenhum choro há de secar
Em nós
Procurando uma boa posição nesse espaço árido e magnífico, nem tão perto, pela forte correnteza, nem tão longe, pois o tudo é um apelido pro nada, e pra criar hei de me tornar pessoa.
terça-feira, 20 de outubro de 2015
sábado, 17 de outubro de 2015
Mãe Lagarta
O abraço da minha mãe é verde
possibilidade verdade
irá
de
ver
de
ser filho marrom.
O abraço de minha mãe é casa
e é antes da percepção.
Se acreditas, ou não
já foi plantada a roça
e de lá nasceu
meu coração.
possibilidade verdade
irá
de
ver
de
ser filho marrom.
O abraço de minha mãe é casa
e é antes da percepção.
Se acreditas, ou não
já foi plantada a roça
e de lá nasceu
meu coração.
terça-feira, 13 de outubro de 2015
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Tristeza Astuta
Já dizia-me a velha tristeza astuta, esguia e perfumada de sua lucidez: traiçoeiro é o momento forte de segurança.
Encontro-me nu à frente do espelho e lembro-me, enxugo-me e olho-me. Lembro-me dos recentes três minutos passados, onde encontrava-me atingido pelo aquífero artificial doméstico, aquele que leva o nome mais poético que um objeto de tal gênero poderia levar: chuveiro. ''Chuv'', digo, vem de chuva, a chuuuuuuvaaaaa, e ''eiro'' é terminação que designa todo brasileiro (macho, pois quando fêmea é ''eira'') ao labor que é o sangue correndo às veias vermelhas. Nesse sentido, não elevo-me a nada além de um mero sangueiro.
O chuveiro, felizardo nominado, cumpria sua função de molhar-me a carne seca e mal cuidada, e eu, sangueiro, mantinha-me vivo, logo, cumpria também aquela simples função à qual me designara. O momento simples é o cúmulo da covardia. A complicação referente a esse era ainda mais covarde: bateu uma vontade da porra de morrer. De súbito? Sempre - segundo pesquisa do datafôia, após explicarem situações, acontecimentos ou o filho bastardo - sentimento, dos quais não se obtém a agradabilidade de qualquer conforto, 99,9% de todos os brasileiros de 13 a 29 anos usam a arma fonética, sintética, gramatical e semiótica do seguir da fala com um lindo, isolado e impetuoso ''DO NADA VEI''.
Eis o pai irresponsável da segurança. Sabe de nada, inocente. A sopa mais densa, o caldo mais grosso, arquiteto do futuro, o inconsciente (ou o sub) nunca deu-me as caras pra além dos livros de freud e suas referências, e é nesse personagem lendário e mítico que habitam as memórias esquecidas, os traumas condenatórios, os flashes desprovidos de foco, e toda a explicação sobre dentro está fora? Nesse momento, nada disso convence, esse momento é de matéria palpável ao coração de quem vos escreve. Portanto, até que a tecla acima do enter imponha-me seu momento, convencendo-me a jogar todo o texto por água abaixo, recito-lhes a frase mais carregada do século: ''DO NADA, BATEU UMA VONTADE DA PORRA DE MORRER''.
Exprime beleza pelos poros, as pérolas pós-modernas existem enquanto possibilidade (POSSIBILIDADE) de serem mil poesias não declamadas, de serem a contradição antecedente ao dizer, afinal, nada disse-lhes sobre o que fora minha vida antes desse meu banho, e veja onde estamos...
Bateu uma vontade da porra de morrer, mas restam os dois verbos não explorados, ''olho-me'' e ''enxugo-me''. Aqui, discorri apenas sobre o ''lembro-me'' e esse momento passara. Enxugo-me por vontade de secar a pele, há algo fora desse banheiro que me chama seco. Olho-me, rindo de leve e não mais lembro, penso - astuta é a tristeza, passa por tudo isso sem, em nada, deixar de convencer. Ela nunca duvidou de um momento para si.
Traiçoeiro é o momento fértil de segurança.
Encontro-me nu à frente do espelho e lembro-me, enxugo-me e olho-me. Lembro-me dos recentes três minutos passados, onde encontrava-me atingido pelo aquífero artificial doméstico, aquele que leva o nome mais poético que um objeto de tal gênero poderia levar: chuveiro. ''Chuv'', digo, vem de chuva, a chuuuuuuvaaaaa, e ''eiro'' é terminação que designa todo brasileiro (macho, pois quando fêmea é ''eira'') ao labor que é o sangue correndo às veias vermelhas. Nesse sentido, não elevo-me a nada além de um mero sangueiro.
O chuveiro, felizardo nominado, cumpria sua função de molhar-me a carne seca e mal cuidada, e eu, sangueiro, mantinha-me vivo, logo, cumpria também aquela simples função à qual me designara. O momento simples é o cúmulo da covardia. A complicação referente a esse era ainda mais covarde: bateu uma vontade da porra de morrer. De súbito? Sempre - segundo pesquisa do datafôia, após explicarem situações, acontecimentos ou o filho bastardo - sentimento, dos quais não se obtém a agradabilidade de qualquer conforto, 99,9% de todos os brasileiros de 13 a 29 anos usam a arma fonética, sintética, gramatical e semiótica do seguir da fala com um lindo, isolado e impetuoso ''DO NADA VEI''.
Eis o pai irresponsável da segurança. Sabe de nada, inocente. A sopa mais densa, o caldo mais grosso, arquiteto do futuro, o inconsciente (ou o sub) nunca deu-me as caras pra além dos livros de freud e suas referências, e é nesse personagem lendário e mítico que habitam as memórias esquecidas, os traumas condenatórios, os flashes desprovidos de foco, e toda a explicação sobre dentro está fora? Nesse momento, nada disso convence, esse momento é de matéria palpável ao coração de quem vos escreve. Portanto, até que a tecla acima do enter imponha-me seu momento, convencendo-me a jogar todo o texto por água abaixo, recito-lhes a frase mais carregada do século: ''DO NADA, BATEU UMA VONTADE DA PORRA DE MORRER''.
Exprime beleza pelos poros, as pérolas pós-modernas existem enquanto possibilidade (POSSIBILIDADE) de serem mil poesias não declamadas, de serem a contradição antecedente ao dizer, afinal, nada disse-lhes sobre o que fora minha vida antes desse meu banho, e veja onde estamos...
Bateu uma vontade da porra de morrer, mas restam os dois verbos não explorados, ''olho-me'' e ''enxugo-me''. Aqui, discorri apenas sobre o ''lembro-me'' e esse momento passara. Enxugo-me por vontade de secar a pele, há algo fora desse banheiro que me chama seco. Olho-me, rindo de leve e não mais lembro, penso - astuta é a tristeza, passa por tudo isso sem, em nada, deixar de convencer. Ela nunca duvidou de um momento para si.
Traiçoeiro é o momento fértil de segurança.
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